Mais ou menos dois anos atrás, meu filho estava passando férias aqui em casa e uma música insistente não parava de tocar no celular dele. Era daquelas que viram earworms, que grudam na cabeça sem piedade. Como eu estava trabalhando em home office, pedi para ele baixar o volume e perguntei do que se tratava. Ele, sem pensar muito, respondeu que era de um jogo. Claro, na minha velhice e chatice, nem dei bola — nem o nome eu guardei direito, para ser sincero. Mas percebi que ele ficava horas jogando, enquanto eu, de canto de ouvido, ia decorando aquela musiquinha irritantemente marcante.

Recentemente, no Discord do Defenestrando Jogos, estava pesquisando jogos gratuitos para reunir mais gente. A STEAM está cheia deles, mas poucos passam da casa de dez jogadores simultâneos. Foi então que encontrei o Stumble Guys, apelidado de “Fall Guys de pobre” por ser gratuito. A ironia é que o próprio Fall Guys acabou tendo que se tornar de graça na Epic, senão o Stumble engoliria ele de vez. E aqui vale um adendo, sim, o Stumble nasceu claramente inspirado em Fall Guys, mas hoje já se expandiu de uma forma própria, principalmente graças ao apelo mobile e às colaborações constantes com marcas, desenhos e clássicos dos games. O resultado é que, mesmo quem olha de fora e pensa ser apenas uma cópia, acaba percebendo que o jogo seguiu um caminho bem mais versátil e inclusivo.

Olha ai o percussor que foi superado pela cópia

Achei a proposta interessante: competições aleatórias com até 32 pessoas, em um jogo que roda em praticamente qualquer celular. Então corri para avisar a galera. E qual não foi minha surpresa: esse era o mesmo jogo que meu filho jogava naquelas férias, o da musiquinha inesquecível. Mesmo ainda meio de nariz torcido, resolvi testar e marquei uma jogatina coletiva. A surpresa foi imediata — trata-se de um jogo extremamente competitivo, cheio de fases abarrotadas de armadilhas, onde cada um luta por si até restar um vencedor. Mas a competição não é a única graça: a diversão está no mesmo nível. Jogar com amigos eleva tudo a outro patamar — são risadas, gritarias e aquele prazer de ver o amigo tropeçar e ser eliminado por pura falta de resiliência.

Sucesso no mobile e também nas plataformas como STEAM, EPIC e muitas outras

E isso é só o começo! O jogo traz rankings, modos de evento e monetização baseada apenas em cosméticos: roupas, poses e animações para tirar sarro dos rivais. Nada de pay to win. Há também uma roleta gratuita diária e o Stumble Pass, com recompensas sazonais conquistadas ao acumular pontos em partidas ranqueadas. Particularmente, achei o modelo muito justo, o tempo de espera de 24 horas é perfeito para mim, que trabalho o dia inteiro e só entro à noite para pegar as missões diárias, especiais e as do meu próprio clube que criei no jogo — os Minigamieros, em homenagem ao Boça do Hermes e Renato. Não existe aquela pressão sufocante de ter que logar o tempo todo, e isso faz toda a diferença.

Pra mim a roleta tem o tempo certo para quem trabalha como eu

Outra surpresa foram os mapas temáticos. Já encontrei arenas inspiradas em Bob Esponja (com o Holandês Voador e suas armadilhas), Looney Tunes (inclusive um com o clássico “That’s All Folks!” soltando pianos e obrigando a usar pulos duplos), além de uma fase que lembra muito Overwatch, onde escoltamos um míssil gigante até a linha de chegada, com direito a socos e bazucadas para atrapalhar os rivais. O jogo também mergulha em colaborações incríveis, já vi mapas de Tartarugas Ninja, Monopoly, My Hero Academia e até de clássicos absolutos como Pac-Man e Tetris. O do Pac-Man me deixou boquiaberto, um labirinto fiel ao ARCADE, com pílulas, fantasmas correndo atrás dos jogadores e até as warps que transportam de um lado a outro da tela. Um verdadeiro tributo que fez meu respeito pelo jogo crescer muito. Detalhe, meu filho é craque nesse mapa — motivo de orgulho, já que o interesse dele se estendeu ao jogo original de 1980. Isso merece aplausos para os desenvolvedores, por manter viva a chama dos clássicos.

Fiquei encantando com a parceria com a NAMCO e STUMBLE GUYS

O mapa de Tetris também é sensacional, com peças coloridas descendo e se tornando armadilhas, umas pegam fogo, outras congelam ou desaparecem, fazendo você despencar. Só isso já seria suficiente para eu rever meus preconceitos com o jogo. Afinal, ele serve como ponte para apresentar os grandes ícones da história dos games à nova geração. Hoje sigo jogando mesmo fora das partidas com a galera do Discord. Estou subindo no ranking, participando de eventos e até de torneios. Recomendo fortemente que outros “tiozões” como eu deem uma chance ao Stumble Guys — de preferência jogando com seus filhos. A diversão é garantida, as risadas são muitas e as lembranças, preciosas.

Consegui lvl18 em um mês de jogatinas sozinho e com amigos

Minha união com meu filho através dos jogos sempre foi grande, mas confesso que nunca dei muita bola para o que ele jogava. Foi só quando sugeri o Stumble Guys para os amigos que lembrei dele e o convidei para jogar conosco no servidor do Discord. Isso não apenas nos aproximou ainda mais, como também fortaleceu os laços com o pessoal da minha comunidade. No fim das contas, o jogo me proporcionou algo maior que a competição, a chance de rir, competir e compartilhar momentos com meu filho e com os amigos. E isso, pra mim, já o torna especial.

16 COMMENTS

  1. acho excelente que esse jogo chama a atenção e aproxima todos com os eventos retrô. os jogadores mais velhos tem o sentimento de nostalgia enquanto os mais novos se divertem com os eventos e, com um incentivo a mais, vão atrás dos jogos do pac-man, do tetris, jogos de arcade em geral… família que joga unida permanece unida

  2. Esse jogo é muito bom mesmo e só de ler o título da matéria a música já agarrou na minha cabeça novamente hahahahahaha

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