Revisando a Jogatina The Revenge of Shinobi

Esses dias eu estava zapeando no Youtube algumas trilhas sonoras de games e na sugestão vi alguém que foi o primeiro músico a ser referenciado em um jogo de videogame… Yuzo Koshiro. E a música era uma das que me trazem as melhores lembranças de um jogo: Chinatown, de The Revenge of Shinobi. Um dos jogos das primeiras baciadas do Mega Drive, um clássico que – pelo menos ao meu ver – envelheceu tão bem que é impossível jogá-lo hoje e não ter saudades daquela época de descobertas: os meus primeiros passos nesse mundo eletrônico que estava vivendo há alguns anos, mas agora com aquela cara de fliperama.

Para você que vai ler e quer se situar dentro da minha lembrança

Acho que todos sabem que o jogo tem 4 magias disponíveis: Ikazuchi (Magia do trovão), Kariu (Dragão de Fogo), Fushin (Aumenta a distância do pulo) e Mijin (Magia da evaporação), e assim como em Streets of Rage – outro clássico cuja trilha sonora foi composta por Yuzo Koshiro -, soltar a magia na hora errada poderia ser um desperdício, mas em The Revenge of Shinobi isso pode ser revelador. Logo no começo do primeiro estágio, como um bom moleque que não manjava nada, apertei o pause do meu controle e simplesmente coloquei para os lados sem parar, fez um barulhão, pois estava selecionando as magias (lembre-se o jogo era alugado e não vinha manual de instruções). Obviamente apertei o botão A e lá vai o Shinobi desperdiçando aquela magia que poderia ser útil contra o chefão.

Que nada, acabei descobrindo uma magia secreta na primeira fase, bem no começo da tela. A Fushin faz o pulo se tornar mais alto e com isso facilita e muito a execução do pulo duplo. Então sem querer descobri a função dessa magia e um segredo logo de cara. E o melhor: aquele bloco invisível que virou uma magia não era uma, e sim duas. O jogo prossegue com o padrão básico da série Shinobi, ou seja, acerte os inimigos antes que eles acertem você, com movimentos que depois de jogar um milhão de vezes são tão previsíveis que dá sono.

Nada como encontrar um segredo por acaso

A fase 1-1, é só uma fase para você ter a noção do que virá, já na 1-2 aparecem, alguns desafios simples, que não demoram para serem vencidos e mais uma caixa invisível, depois de ir e voltar na fase para descobrir que a passagem será por baixo da terra. Mas é claro, essa caixa revela uma porrada de shurikens que geralmente para quem estava iniciando e lia muita revistas de videogame eram irrelevantes, já que, no options, bastava zerar os shurikens e esperar alguns segundos que você tinha infinitas dessas faquinhas que hoje sabemos que são kunais… Você assiste Naruto né?

Nem tudo que ninja arremessa é “shuriken”

Depois disso, sempre temos o combate com o chefão e esse era um velho conhecido, já chamei de “LOBSTER” na mesma hora. Um Samurai gigante com uma armadura vermelha e com uma espada que já me deu uma lapada que tirou ¼ da energia (estava jogando no EASY). Esse inimigo lembrava muito o chefão do primeiro Shinobi de 1987, Lobster, que nem preciso dizer tem as mesmas características, mas claro que ele tinha um comportamento totalmente diferente, avançando passo por passo e não correndo, mas logo vi um cantinho no alto, em cima do telhadinho que era evidente ser um save point, mas minhas habilidades para o salto duplo eram de ruins para péssimas. Aí lembrei daquelas 2 magias do começo e obviamente eu selecionei a que tinha cara de ser “FOGO”.

Sim, a magia Kariu tem como símbolo uma coluna de fogo e quando soltei aquela magia, puta que pariu (desculpa o termo), mas era assombroso ver aquelas quatro colunas de fogo surgindo e empurrando o chefão para trás. No desespero já apertei o botão de magia, mas quando você usa qualquer das magias, ela é resetada e volta automaticamente para a Ikazuchi. E lá vamos nós criar um escudo que sumiu depois de algumas porradas e obviamente, me custou aquela vida, um erro que todos já cometeram nos jogos e que é gratificante, pois você nunca mais comete o mesmo erro. JAMAIS!

Só se erra uma vez no mundo dos ninjas

Depois de ficar algum tempo tentando dar o salto duplo e claro usando a magia recém-descoberta, consegui passar desse chefão. Fase 2-1: pronto, aqui o jogo já te mostra que sem habilidade no salto duplo a jornada do Shinobi será curta, pois estamos nas cachoeiras mais traiçoeiras que já tinha visto até aquele momento. Essa tela foi um desafio: troncos rolando na água das cachoeiras, ninjas pulando e jogando shurikens para todos os lados, até alguns com asas e fazendo a festa no cadáver estirado do ninja que era preto e ficou branco.

Nada que alguns continues não dessem conta, além de recomeçar o jogo para dar mais sorte e chegar com a sacola cheia de kunais e mais magias. Claro que era inútil, já que shuriken era infinito e as magias eu sempre usava as duas no primeiro chefão, mas prestando atenção percebi que a cada nova fase o jogo te dava de graça uma magia para usar como quisesse e eu que não era bobo, mesmo sendo um belo de um vacilão, lembrei daquela magia que soltei sem querer – a que aumentava o pulo – e nem pensei duas vezes… HAAAAA. Usei ela logo que começou o estágio e ele se tornou um mamão com açúcar, já matutei que esse era o segredo em alguns estágios: use a porra da magia e seja feliz.

Novamente descobri uma caixa secreta e novamente era de magia, mas quem disse que eu consegui pegar, caí no buraco, perdi a vida e tentei de novo, mas ela some depois de um tempo.

“Mas que droga, vamos largar isso aí e seguir em frente.”

E foi o que fiz, passei mais uma seção cheia de troncos deslizantes e já apareci na fase 2-2, com uma cidade de fundo, com prédios a distância, mas só que encobertas por becos e armazéns imundos, mas pra minha surpresa… freiras! Isso mesmo! Freiras caminhando tranquilamente,  mas passando por elas, as freiras se revelavam umas biscates que ficavam pulando e te atacando como um cão raivoso. Kunoichis, as versão femininas do Shinobi, algo que depois de ser arremessado num buraco, tentei evitar indo por cima das construções, mas o caminho não era fácil, cheio de bombas em caixas que davam a entender que seriam energia, shurikens e o famoso POW que perdia tão rápido que nem comentei antes, para não lembrar das humilhações ao pegar ele e já perder miseravelmente 3 segundos depois.

Mas perder o POW, que te dava a habilidade de atirar shurikens de fogo e usar sua espada para o mestre do Kung Fu em pessoa… BRUCE LEE, era sensacional. Sim, duvido que você não chamava esse personagem de Bruce Lee. E essa fase foi aquela tortura, encontrar meu fim sobre biscates voadoras ou pelas voadoras de uma lenda já morta. Depois de trocentas tentativas, cheguei no final da fase. E mais uma vez, como um bom principiante, atirando para todos os lados, mais uma caixa invisível que na primeira vez não peguei por ter sumido, mas vi que era de magia.

Seguindo para o chefe, já vi as luzes quase cegantes e um ninja amarelo pulando e mandando fumo no querido Shinobi. Sem pensar, resolvi usar a quarta magia, Mijin… E logo notei que ela era forte, pois o chefe foi arremessado pra longe, e notei que o quadrado na Ikazuchi continua vermelho.

“Opa, isso significa que posso soltar mais uma.”

E – claro – soltei a dita cuja, porém deu GAME OVER e fiquei sem entender essa porra.

“Mas que diabo tinha acontecido?”

Sem saber essa resposta, desliguei o console frustrado e – como sempre fiz – fui comer, andar de bicicleta ou fazer qualquer outra coisa. Quando voltei a jogar, mais tarde naquele dia, estava determinado a descobrir o porquê daquele GAME OVER. E assim que comecei o jogo, já resolvi soltar a magia para ver o efeito que teria e para minha descoberta, notei que uma vida havia sumido. Então, toda vez que eu usasse essa magia eu perderia uma vida, e era por isso que o jogo dava outra magia como se fosse um recomeço de fase. Fiz mais um teste, deixei os primeiros inimigos me atingirem e soltei a magia novamente e que surpresa boa: toda a energia foi preenchida. Realmente custa uma vida, mas em troca de uma nova. Uma vantagem e desvantagem dessa magia que sendo usada da maneira correta poderia me tirar de situações problemáticas.

Fiz todo o caminho até o chefão da 2-3, mas peguei a magia que havia perdido na porta do chefão, claro. Dessa vez eu não ia errar, soltei três Karius e os dragões de fogo fizeram o “Shadow Dancer” dançar literalmente.

Será uma referência ao próximo jogo que seria lançado?

P.S.: Eu chamava de Shadow Dancer esse chefão, pois sua última forma era a de uma sombra e estávamos numa danceteria. Nem imaginava que o próximo jogo do Shinobi seria o Shadow Dancer.

Fase 3-1: me vejo num tipo de aeroporto, agora cheio de soldados, todos milicos fáceis de atingir, mas espere, logo de cara vejo o RAMBO com um lança-chamas, não peraí, eu tô vendo o TERMINATOR, mas com uma faixa vermelha na cabeça. Que droga, lembrei que a primeira vez que aluguei esse jogo era a versão japonesa e loquei lá na locadora perto do colégio que estudava. E nessa o Rambo que aparecia, depois quando peguei na outra locadora mais perto de casa era a versão TEC TOY. Hummm, sistema de revisão de jogos, para modificar algumas coisas em versões diferentes lançadas em outros territórios, mas isso só fui saber muitos anos depois, o que pensei mesmo era que tinha coisas na versão japonesa que não tinha na nacional… Será que a americana era diferente?

Bem, uma fase simples e até rápida, para cair dentro de um porta aviões com aqueles mesmos milicos, porém o espaço era apertado, e ao passar pela primeira porta fui sugado para fora e lá se foi uma vida de graça. Então além de desviar dos tiros inimigos e granadas, eu também precisava passar longe das portas. Demorou, mas consegui atravessar a tela, e bem no finalzinho da fase tinha lá uma caixa invisível que se mostrava como um coração enorme, dando aquele alívio, pois ele recuperaria toda a energia, mas embaixo dela uma maldita porta. E não deu outra: arrisquei e me estrepei.

“Bem, aprenda primeiro a controlar o pulo e depois banque o ninja.”

Feito o caminho até lá entrei no BOSS e já me surpreendi, pois era uma maquina invulnerável à minha arma principal. Já notei uma parte móvel no alto que veio até mim e disparou um raio laser de furar até aço puro. Não ia cair no mesmo truque duas vezes: me movendo para outro sentido aquilo me seguiu numa velocidade que não esperava e tome outra rajada para ficar ligeiro. Notei que a máquina abriu e um cérebro saiu de dentro.

“Olha lá o ponto fraco!”

E já preparei a Kariu e mandei bala, porém ela se fechou tão rápido como abriu, provando ser inútil… Dano zero! Pronto, lá se vai mais uma vida. Já pensei em mudar de estratégia, soltar uma Ikazuchi que me protege de 4 acertos e partir pra cima do chefão quando ele se abrir. Usando o salto duplo, acertar shurikens não era difícil, e – claro – depois de sofrer um pouco, descobri que dava para pular atrás da maquina e ficar em cima dela desviando de um laser que se movia mais lentamente, dando a chance de acertar mais vezes e me recuperar.

Com a morte do cérebro, já me encontro na fase 4-1: um evidente ferro-velho, com mais soldadinhos e os RAMBOS mandando fogo em tudo que se movia… EU! E, como sempre, logo de cara já achei uma caixa de magia invisível no começo da fase e depois no final também. Como era bom esses benditos shurikens infinitos, ficar treinando o salto duplo e atirando trocentos shurikens era algo muito bom nesse jogo.

Já passando para a próxima fase, 4-2, já vi uma esteira girando como doida e – claro – pulo duplo e shuriken me mostraram uma caixa que não tinha visto antes, bem na primeira fase tinha uma vida extra, mas tava tão em cima que nem vi direito. Vendo ela ali logo pensei: “Que merda, logo ali!?”. Sim, a caixa de vida estava numa posição que para pegar eu tinha que cair no buraco. Calculando, achava que dava para pegar sem morrer e morri, óbvio. Mas eu estava com quatro vidas e ao pegá-la passaram a ser seis.

“Porra! Essa caixinha dá 2 vidas?”

Pulei ali até cansar: no jogo The Revenge of Shinobi, o contador vai até nove vidas, e se pegar a mais não aparece mas as vidas extras estão lá. Fiquei ali uns 30, 40 minutos juntando o máximo de vidas que achava que podia e encarei a fase cheia de poças de lava e labaredas saindo das paredes e do chão, além de motores e pedaços de lixo prensado descendo de máquinas para serem derretidos – nada fora do que o jogo já tinha apresentado. Só a parte onde se entrava para o chefão é que tinha o timing de esperar as labaredas cessarem e usando um motor descer e entrar na sala do boss.

Esse era um TERMINATOR, descaradamente usando óculos escuros e sem camisa, voando para cima do Shinobi com uma ombrada relâmpago, além de levantar carros e motores para jogar em você. Nada melhor do que usar aquelas 4 magias né? Não, você passou 40 minutos se matando para pegar vidas e perdeu as magias, meu velho.Não demorou para ver que a melhor hora de descer a lenha nele era quando ele levantava um motor, assim como era bom usar as bordas para escapar da ombrada e do carro que é atirado. E agora falando de uma curiosidade rápida, já notou que quando se pausa o som é o mesmo do Streets of Rage? Bem, a SEGA reciclou o som ou deixou que o Yuzo Koshiro usasse os mesmos samples no The Revenge of Shinobi, algo muito bacana para quem locou esse jogo meses depois na mesma locadora.

Pronto: entro na fase 5-1 e já me vejo… dentro ou fora de um prédio? Até hoje me pergunto isso, mas acho que é fora mesmo. E agora a corrida é para cima e não para direita como de costume, e o lugar está cheio de soldados e agora também canhões lasers nada parecidos com o do chefão da terceira fase, mas tão letais quanto eles. Não foi difícil descobrir que a magia Fushin dá vantagens incríveis nessa tela, e  – como sempre – salte usando o pulo duplo e ataque as kunais, meu amigo, lá no começo da fase (mas agora do lado esquerdo da tela) você vai encontrar a caixa invisível com duas magias esperando para serem pegas.

Passando para a fase 5-2, já tenho aquela boa e velha surpresa… sou atropelado por um carro vermelho, tipo uma Ferrari (fiquei no começo tacando shuriken para todos os lados). E com isso aquele desespero bateu me obrigando a seguir em frente e já dou de cara com uma freira… Já sabe o que me veio à mente, né? Malditas biscates voadoras. E tudo isso junto com um carro que vem de tempos em tempos. Além da fase ter dois segmentos, a parte da estrada, pois tá na cara que é uma HIGHWAY ou para nós uma auto estrada, só que acredito que está em uma ponte, tanto que é possível usar as plataformas que ficam no segmento fora da estrada . Claro que chegar aqui a primeira vez foi infernal, algumas vidas desperdiçadas depois de entender o timing e sempre apelando para o salto duplo com shuriken… Deu, deu sim para passar, depois de várias quedas em buracos e atropelamentos.

Pular ali na auto estrada era tenso!

5-3 é a batalha com o chefão que coloca Shinobi em cima de uma caminhão que está em alta velocidade na mesma autoestrada em que eu estava antes, só que agora foram evidentes os pontos fracos, pois globos vermelhos e piscantes surgem do nada. Não foi difícil imaginar meu shuriken nessas porras, porém o chão tinha uma corrrente elétrica que – claro – me atingiu em cheio logo de cara. Mas deu pra ver que uma Ikazuchi e um pouco de treino resolveriam. Mas o bacana é que um desses pontos – são três para destruir – estava em uma posição onde a eletricidade não passava, então esse foi o primeiro lugar em que deixei aquele shuriken maroto. Mas o último ponto fica em cima da cabine do caminhão, de onde sai a eletricidade, e tentando burlar o sistema acabei sendo atirado para fora do caminhão e foi aquela morte estúpida de novo.

Voltando e aplicando agora a sabedoria que adquiri da morte, passei tranquilamente desse caminhão infernal. E agora chegou, chegou o ponto em que iniciei o pensamento para fazer esse review: CHINATOWN e sua trilha sonora que me fez querer ficar parado ali por dias, já que em The Revenge of Shinobi não existe uma contagem de tempo, então você é livre para desfrutar da tela e também das trilhas e não tem como não lembrar de todas elas, cada uma colocando o jogador dentro daquele universo que foi proposto… Assim como em Aventureiros do Bairro Proibido, praticamente um passeio pelas ruas da Chinatown de San Francisco embaladas a Jack Burton e o famigerado Lo Pan… Pra mim existe uma clara influência nessa trilha que vem daquele filme, lembrando que essa é a única música do jogo que não se repete, tirando também as do final e abertura.

Será que você ainda está ouvindo a trilha que coloquei no começo do review?

E me deleitando com a música já encaro um novo inimigo: uma lutadora que dá uma pernada no ar quando pula… e logo depois se afasta para repetir o movimento. Se acompanhá-la de perto e usar o ataque de perto, você poderá acertá-la várias vezes, fazendo com que a alça de seu vestido se rompa e, no pânico de mostrar os seios, ela pára de atacar se ajoelhando e ficando prostrada no chão (é um pequeno detalhe, mas desde a primeira vez que joguei já havia notado isso e achava sensacional). Logo já vi mais um inimigo novo, um chinês que fica rodopiando um nunchaku defendendo seus shurikens e dando golpes que o tornam um alvo fácil, mas chegar perto e passar a espada é sempre o melhor.

Claro, caixas invisíveis com magia e energia, além de vida extra e um local onde o salto pode ser prejudicado, e nada como lembrar de usar a FUSHIN e passar logo mais uma fase. Caindo na 6-2, literalmente caindo em cima de um trem que o ajuda a cruzar os Estados Unidos… Sendo que sua jornada começou lá no Japão e seu caminho para o Leste te leva cada vez mais para dentro do continente americano… Mas deixa a divagação de lado! – voltemos ao trem que está em disparada e várias vigas vêm ao seu encontro. Melhor ficar esperto e ver se as vigas estão mais acima ou mais abaixo antes de pular para desviar delas. Ao sair do túnel, vários ninjas do começo do jogo estarão lhe esperando, além de alguns Arnold Schwarzenegger lançando fogo como se não houvesse amanhã.

E mais uma dica para caixas invisíveis: antes de entrar no chefão, salto duplo e shurikens fazem revelar aquelas duas magias preciosas para enfrentar um adversário que poderiam dizer ser o amigo da vizinhança. Só não sei o que o Homem Aranha faz no meio oeste americano. E sim, é isso mesmo que você leu: SPIDERMAN surge avançando pelo teto e disparando teias que o prendem por um tempo, dando a chance para o cabeça de teia descer para atacá-lo sem dó. E não sei por que a surpresa: logo no início do jogo, além do nome de Yuzo Koshiro não apareciam também os direitos de imagem do Spiderman®?

“Sim, mas quem presta atenção em letras miúdas?”

Mas estava lá, tanto na tela de apresentação como sendo o chefão da 6-3, mas eu me perguntava por que o aracnídeo entrou na onda da vilania. Mas depois de algumas porradas ele saía dando lugar a um homem morcego, que se assemelhava muito ao Devil Man, um mangá que também ganhou animê e não só isso, jogando uma futura versão piratinha do jogo, no lugar desse morcegão veio o próprio BATMAN, que coisa hein… Já não bastava um herói, tinha que enfrentar dois! Mas isso só podia ser coisa de um metamorfo que foi o que meu primo falou e acreditei até ver as versões mais atuais lançados para coletâneas no PS3, Xbox 360 e Wii… Ali estava um ser disforme e rosa, fazendo aquela cena. Demorou quase 25 anos para confirmar isso ou foi a perda da licença de uso da imagem do HOMEM-ARANHA pela SEGA?

E claro, depois da transformação era só mandar o máximo de shurikens no morcego e tomando cuidado para desviar dos pequenos que vinham auxiliar o mestre. Nada que uma Ikazuchi não resolvesse desde o início para chegar com o POW, dar três porradas no Aranha e mais três no morcegão para passar de fase lindamente. E já dava pra sentir o gosto do final, mas ainda era a fase 7-1: um porto com grandes buracos e com ondas arrebentando por eles, com ninjas saindo de suas águas, além dos Stallones ou Schwarzeneggers – dependia da revisão que estava jogando -, mas o que mas prejudicava ali era a distância para os pulos e além de tudo ninjas aparecendo para te fuzilar de estrelinhas e impedir seu progresso.

Não se preocupe, FUSHIN neles e o pulo dobra de tamanho, levando-me até quase o final da fase, mas ali estava um desafio: um salto que era o maior que vivi no jogo, nas primeiras tentativas o desespero me fazia dar o salto duplo rápido demais. Até entender que com a Fushin, dava para esperar mais um ou dois segundos antes de fazer o movimento, prologando a queda do Ninja Shinobi e com isso me vi terminando essa fase e entrando dentro de um tipo de indústria ou fábrica com soldados e andaimes que se movimentavam, mas nada de especial até aí. Uma fase apertada, que requer cuidado que já aprendi nas telas passadas e lembrando que mais uma caixa invisível se esconde no final da tela, aí cabe a você decidir se usa o salto duplo ou usa a magia Ikazuchi para pisar no chão incandescente e apenas disparar uma kunai onde ela fica.

Pulinho maldito… você passou aqui de primeira

Pronto, o chefão da 7-3 está aí e pra minha surpresa é o Godzila, mas tem duas versões dele: PURO OSSO ou STAY PUFF. Sim, a versão de carne lembrava o monstro do primeiro filme dos caça fantasmas, por isso achava a versão só ossos muito mais louca. Esse chefão não era bolinho não, a magia Kariu – mesmo soltando 3 – não matava o safado do dinossauro, e nessa altura do campeonato as queridas revistas Videogame, Ação Games e SuperGame já tinham revelado um segredo: o negócio era sapecar 3 Mijin que você matava ele,mas ao custo de 3 vidas. Claro que eu tinha umas 50 ainda, então não me importei de despachar nosso amigo para o Jurassic Park.

Mas notei que não tinha ganhando o TECHNICAL BONUS e sempre me perguntei o que acontecia… Por que em algumas vezes eu ganhava e em outras não? Hoje eu notei que perder vidas, mesmo usando Mijin ou ser atingindo perdendo o POW fazia isso acontecer. Mas nunca soube ao certo e nunca achei ninguém explicando esse segredo. Pois bem, estamos lá… NEO ZEED, mas quem é Neo Zeed? Desculpa pessoal, eu coloquei o jogo no console e nem sequer esperei a segunda apresentação, onde o nome Neo Zeed é apresentado, mas não entendia nada de inglês, relacionei à imagem do Shinobi segurando um ancião (talvez seu mestre) e por isso talvez o nome Revenge, que – mesmo sem muita compreensão do inglês – por se assemelhar muito a Revanche já somei 1+1 = 2.

Pois bem, o mapa indicava uma ilha longe do continente americano, não seria Nova York. E a chuva já trazia aquela sensação de desolação e medo, pois o final estava aí, fase 8-1, e logo já aparece um canhão lançando bolas de fogo, mas foi fácil desviar e pular em cima dele e continuar o trajeto. O que não esperava era ele virar e atirar nas minhas costas e novamente levei aquele dano bonito e mais uma valiosa lição foi aprendida. Claro que soldados, granadeiros e chineses estavam lá, dando aquela força para que a senhora morte fizesse a viagem comigo para o outro mundo, mas nada que o jogo já não tivesse me preparado, porém não estava pronto para pegar a caixa invisível que estava no segundo segmento da tela: ao acertar o soldado e sem querer lançar outro shuriken, a caixa se revelou, mas um canhão cuspindo fogo não ia deixar eu pegá-la e – claro – não peguei. Então o negócio foi seguir, chegar em uma porta escrita ZEED e adentrar na fase 8-2, que é um maldito labirinto.

Você chega fácil no final do labirinto?

Sim, um labirinto que detém várias portas, e entrar na errada faz você ir para uma sala que te traz de volta para o começo, e não posso mentir para vocês, mesmo com a revista que ensina as portas certas não foi fácil, primeiro, só de encostar na porta você era sugado para dentro. Então se um inimigo te acertasse no ar fazendo você cair pra trás e caísse numa porta… BAUBAU, se prepare para voltar tudo. Mas o bom é que o caminho da revista levava Shinobi até um local secreto cheio de caixas com vida extra, magias, shurikens e o POW. Hoje eu não tenho mais dificuldade nenhuma, depois de jogar quase minha vida inteira, sei o caminho do labirinto como se fosse minha própria casa, mas na época foi duro e não tem como explicar sem mostrar as portas.

Muito bem, depois de uma longa viagem no inferno de Zeed, quase um inferno de ponta cabeça dos Aventureiros do Bairro Proibido, cheguei a uma sala sem portas apenas indicando a próxima fase (e lembre-se: se atirar na parede logo atrás de você, terá um POW invisível ali que ajuda bastante a encurtar o combate contra NEO ZEED). E esse chefão é no mínimo curioso por ele ter a aparência de um KABUKI (Você entendeu a referência? Mystical Fighter ou Maou Renjishi o jogo beat ´em up do Mega Drive com dois kabukis lutadores), e esse girava o cabelo e era invulnerável, a não ser que você se aproximasse e quando ele batesse com o cabelo, você podia desferir um golpe nele. Mas já pode se preparar, pois o safado está de peruca e manda a cabeleira atrás de você, então seja rápido pulando e fazendo ela desviar o trajeto para que você repita o processo.

Mas pera lá, se estou aqui para vingar meu mestre, quem era aquela belezura ali atrás das grades? Hummm, Shinobi ia se dar bem então… Mas pelo visto nem tanto assim, o teto estava abaixando e a senhorita de vestido rosa se abaixava com o teto tão próximo e lembrei da dica da revista, acertar os buracos pretos que estão nas paredes do lado esquerdo e direito para que o teto pare de de descer por alguns segundos. Mas minha inexperiência custou a vida do meu amor e vi o final mais triste até então que tinha presenciado. Shinobi em cima da montanha e vendo a imagem de sua amada nas estrelas. O mais curioso que na época minha mãe estava por perto e virou pra mim e disse:

“Nossa, essa música é do Vangelis!”

Eu nem fazia ideia de quem era esse cara e ela ficou curtindo a música – que era bem triste – e me perguntou o que tinha acontecido. Obviamente, na minha empolgação juvenil contei o jogo todo e ela prestou bastante atenção e me falou para tentar de novo, já que se aquela nas estrelas era o amor desse ninja, deveria ter um jeito de salvá-la. E como um bom filho eu fiz todo o trajeto de novo, agora mais experiente, com shurikens infinitos, dicas das revistas e claro: meu próprio conhecimento do jogo. E lá estava eu, encarando mais uma vez NEO ZEED, só que agora já inicio o combate atirando um shuriken lá no buraco e um bruta barulho indica que deu certo, o teto não se moveu por um tempo. Usando a magia Ikazuchi – que naquele momento eram três -, eu fiz a festa: me esquivava do cabelo e sempre que podia acertava o buraco e é claro porrada nesse vagabundo que matou meu mestre e sequestrou meu amor.

VITÓRIA!

Neo Zeed estava morto, explodiu como fogos de artifício e Shinobi abriu a cela onde seu amor o abraça e temos um novo final. Agora com Shinobi e seu amor, vendo o sol nascer e juntos caminhando para um futuro brilhante.

Sim, essas foram algumas das minhas experiências sobre esse clássico, e claro que misturo as primeiras vezes que joguei com coisas que descobri depois nas revistas, além do meu conhecimento atual. Espero que gostem desse tipo de review pois tem muita coisa a compartilhar sobre esses jogos incríveis.

Você pode gostar...

  • Muito boa a sua revisão desse jogo. Realmente você jogou bastante esse game para lembrar de cada detalhe e o principal de cada fase. Eu acho que com suas dicas, conseguirei ir melhor nesse jogo. rsrs
    Gostei que você mencionou os acontecimentos que se passaram na sua vida quando conheceu o jogo…Sua primeira experiência com ele. Parabéns pelo texto e pelo site!

    • celsoaffini

      Obrigado Wanderléia. Joguei demais, você não imagina o quanto… hahaha. Espero que ajude mesmo!

      Sim, pretendo escrever reviews assim, não só para falar do jogo em si, mas para compartilhar um pouco do que vivenciei com eles. Agradecido.

      • Excelente! Cada jogo traz recordações a parte e escrever sobre elas, faz voltarmos no tempo.