Diário de um Jogador#1 Reflexões de um passado há muito esquecido

Para começar essa nossa conversa que será longa, tenho que em primeiro lugar contar os motivos que me levaram a escrever o que chamarei de “Diário”, pois acho estranho, já que nunca tive um e nunca tomei nota de nada que aconteceu em minha vida. Mas conversando com um grande amigo, com quem fiz amizade há pouco tempo, uns cinco anos talvez, e vocês o conhecem com o Zemo ou melhor dizendo José Yoshitake, esse indivíduo insiste que eu devia escrever minhas memórias, fazer um livro contando aquilo que ainda me lembro bem e uma das suas dicas foi escrever tudo que puder para ter a base para tal coisa.

Pois bem, começo aqui então minha jornada no tempo, nas minhas memórias, e tentando transparecer toda saudade que sinto de certos momentos. Porém, também haverão momentos que não serão bons de lembrar, mas quem sou hoje é resultado do que relatarei aqui, então vamos começar do princípio: quando foi meu primeiro contato com videogames?

Não foi dessa forma que conheci o ATARI

Acredito que a primeira vez que tive contato com um aparelho de videogame foi na minha infância, provavelmente com 4 ou 5 anos, ainda morava num prédio em São João Clímaco, bairro próximo daqui onde moro atualmente. Mas voltando ao fato, não me lembro ao certo, mas um vizinho na época tinha um telejogo, que joguei algumas vezes e gostei, mas nada além disso. Não fiquei pedindo para o meu pai ou para minha mãe para ter aquele aparelho em casa, eu – que já tinha ganhado uma coleção enorme dos bonecos FALCON – estava muito bem servido de diversão, além da minha TV de 17’’ da Philco Ford preto e branco da mesma produtora do console em questão.

Eu realmente nunca pedi um console, me lembro que nessa época mal saía de casa – minha mãe era muito protetora -, mesmo tendo alguns coleguinhas no prédio eu era meio solitário. Um dos meus melhores amigos desde essa época do prédio foi meu primo Marcelo Zanotti, que tinha 2 ou 3 anos a menos que eu. E não foi difícil relembrar de um barril onde guardava todos os meus brinquedos, como aqueles soldadinhos da Guliver e muitas outras coisas que fazia questão de virar no chão quando ele chegava por lá.

E quem não tinha um carrinho de ferro e Pega Vareta?

Mas quando minha mãe engravidou de minha irmã Priscilla, meu pai já estava com planos para nos mudarmos para a casa em que atualmente eu vivo ainda… Isso com 8 ou 9 anos, um sobrado muito legal que tinha um espaço enorme e – para o garoto que eu era na época – com infinitas possibilidades de brincar. Mas nessa época um tio meu que até hoje chamo de Tio Luiz foi quem me levou à primeira casa de jogos (ou fliperama para quem não manja que no final da década de 70 e começo da de 80 esse era o nome dado às casas com jogos eletrônicos).

Bem, eu sempre disse que ganhei meu ATARI em 1981, mas relembrando isso tudo, tenho certeza agora que isso aconteceu em 1984, provavelmente no final do ano. Claro, que minha visita ao fliperama ali na Rua Silva Bueno na altura no número 2600, bem no final (na verdade a um quarteirão do seu final), lá estava aquele fliperama cheio de máquinas como New Rally X, Ms. Pac-man, Galaga, Moon Patrol e outras que não me lembro ao certo, mas lembro que a entrada tinha um degrau, pois era elevada em relação à rua e todo mundo sentado naqueles bancos de bar, fumando cigarro… todas as máquinas tinham cinzeiro, e estar ali me fez me sentir como um adulto. Algo muito legal para toda criança, aquela ilusão de se sentir mais importante, sei lá…

Maquinas coloridas e barulhentas, que chamavam muita, mais muita atenção

No final do mesmo ano, lembro que meu pai viajou e minha mãe mencionou o Paraguai, mas eu nem fazia ideia do que era… Achei que era outra cidade! E depois de quase uma semana, me pai voltava e com ele muita coisas, como garrafas de whisky, binóculo, batata Pringles… Primeira vez que comi, nunca mais esqueci o quanto era boa. E claro, aquela caixa cinza, com algo incrível estampado na caixa. Uma família jogando junta um jogo que havia visto no fliperama: PAC-MAN. Esse foi um dos jogos que veio com o console e por incrível que pareça, meu pai comprou pra ele e ele jogava até que bastante na época.

Lembro de disputar quem fazia a maior pontuação e inicialmente eu perdia todas as vezes até começar a me dedicar a aprender a jogar. Claro que eu passei a vencê-lo e meu Tio Luiz também me ajudou nisso, pois ligava o ATARI naquela TV que era minha e ficávamos jogando por horas, tanto que certa vez, eu, ele e meu primo que nos revezávamos na jogatina, conseguimos zerar o SCORE. Chegando em 500.000 a pontuação voltava a zero, algo que nunca imaginei que conseguiríamos ou que dava para ser feito. Mas também, já tínhamos decorado o caminho que era preciso fazer para comer o mais rápido possível todas as pílulas do labirinto, lembrando que os fantasmas iam aumentando de velocidade mas tinham um limite e que – claro – já não era mais desafio.

Esse jogo já não representava um desafio

Acredito que aí nasceu a primeira chama sobre os videogames na minha vida, dessa disputa e por estar jogando junto e me divertindo com primos, tios e até meu pai. A paixão pelos videogames foi aumentando, passando a trocar fitas e procurar outras pessoas que também gostavam desse universo. Mas o que realmente me fez despertar de verdade para o mundo dos jogos foi um lugar que sempre adorei e onde fiz muitas amizades… Vocês já ouviram falar de LONG BEACH?

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  • Belo texto Celso! Seu site esta um máximo! A escrita é uma excelente forma de se expressar. O bom dela é que assim compartilhamos nossas histórias para que várias pessoas possam ler e até se identificar. Eu sempre gostei de ler e estarei acompanhando o seu diário.
    Sucesso para você e o site

    • celsoaffini

      Obrigado Wanderléia… Que isso, eu o quis bem clean e simples. Sim, mas preciso melhorar muito é isso vai servir para o futuro. Então fica esperta pois muito mais está por vir!

      • Entendo, e já estou curiosa para ler o próximo capítulo. Até breve.

        • celsoaffini

          Agora só na quinta-feira que sai a continuação!

  • Tadeu Teixeira

    Ótimo artigo!

    • celsoaffini

      Valeu mesmo Tadeu.

  • Diego Marques

    Poxa muito bom este conteúdo aqui Celso, vc gosta de figuras de ação ate hoje?

    • celsoaffini

      Valeu Diego e não, não tenho mas nada nesse sentido!

  • Flavio Luiz de Morais

    Muito legal Celso. Achei você por acaso em uma propaganda no facebook, me identifiquei na hora com suas historias, muito bacana.

    • celsoaffini

      Valeu Flavio… Eu nunca fiz uso de propagandas no Face, talvez seja as divulgações que eu mesmo faça nos grupos. Espero que goste do que ainda está por vir.