Diário de um Jogador #8 – ATARI, Gaúcho e Turma da Mônica

Imagem relacionada

Quem não era atraído por uma luz intermitente, vindo direto da televisão?

Lembra daquela luz mágica? Então, já deu pra ver ao sair pela porta que alguém estava jogando ATARI e dessa vez não pensei duas vezes, me aproximei e tentei ver lá dentro, e como se tratava de videogame, a vergonha era menor do que a coragem de entrar na casa. Mas como minha casa na época tinha um pequeno corredor que dividia o banheiro da cozinha, no fundo ficavam sala e quarto. E assim que dei dois passos pra dentro, uma mulher que estava na cozinha me viu e perguntou: “O que você está fazendo menino?” Eu já dei aquele pulo, mas ela veio na minha direção e disparou: “Ah é o videogame né?”, me empurrando até a sala onde o marido dela, mais alguns rapazes e uma garota jogavam FROSTBITE e aí todo mundo me olhou e já falaram: “Senta ai, você será o próximo.” Putz, como foi tão bom ouvir isso e assustador ao mesmo tempo e olha que eu tava a 5 metros da minha casa, mas era uma mistura de emoções. Praticamente entrar na casa sem ser convidado, já ser convidado para jogar e ouvir ao fundo minha mãe me chamando.

Resultado de imagem para Frostbite ATARI

Um jogaço que marcou!

Ao ouvir aquela voz, a minha espinha já gelava, minha mãe era um amor, mas se ela me chamasse e eu não aparecesse, eu ia levar umas cintadas só pra ficar esperto. Então tratei de levantar e correr pra frente da casa e, claro, minha mãe me viu saindo da casa e já me deu um peteleco na cabeça e perguntou: “O que você estava fazendo na casa ali? Você entrou sem pedir?”, já meio que preparando o safanão, mas o dono da casa veio e se apresentou, pediu para ser chamado de Gaúcho e disse que tinha me convidado para entrar e jogar com ele e seus filhos. Minha mãe ficou até sem jeito e se apresentou também, meu pai que já viu a movimentação também veio pra fora e eles se cumprimentaram. Enquanto os adultos faziam sala, a filha dele me chamou, dizendo: “Ei garoto, é a sua vez de jogar!”, e eu já corri pra dentro da casa do vizinho atrás de diversão eletrônica. Sentado no chão mesmo, passei a jogar aquele joguinho que já tinha pegado emprestado de algum colega de escola, mas o negócio ali era disputa. Quem fazia mais ponto recebia o título de melhor jogador, olha de onde nasceu a competividade em minha vida no mundo dos games.

Resultado de imagem para Winner

Já na infância foi mordido pelo bichinho da competição

Poxa vida, estar no meio de uma galera que deu pra ver que era mais velha e ser recebido assim, já me senti em casa e coloquei as asinhas pra fora, pegando o controle, já que era minha vez, mostrando toda minha habilidade recém-adquirida nas tardes ociosas da minha infância. E FROSTBITE traz um desafio sensacional: devemos pisar nas pedras de gelo que flutuam no oceano e com isso montar um IGLU para nos proteger do frio polar. Claro que tem que ficar esperto com o urso polar e os caranguejos, mas pegue sempre os salmões (era assim que a gente chamava na época), para ganhar mais pontos. E incrivelmente eu consegui naquela noite fazer mais pontos e me consagrei da melhor forma, com cumprimentos de desconhecidos que pra mim passaram a ser amigos naquele momento. Eu – encantado com aquilo tudo – nem vi minha mãe me puxando, dizendo que já ia servir a janta e que depois eu podia voltar.

Imagem relacionada

Hora da janta pra minha mãe era sagrada

O dono da casa, que a partir daquele dia passei a chamar de GAÚCHO, me cumprimentou com aquele sotaque do sul, cantando: “Venha jogar mais depois, piá.” Putz, que sensação super boa. E, claro, comi como um relâmpago e já me coloquei em frente à porta de casa e minha mãe já perguntou se eu ia na casa da frente. Sem responder, só balançando a cabeça com sinal de positivo, ela abriu a porta, mas aquela luz refletida na porta do gaúcho não estava mais lá, porém todos estavam ali fora, papeando, como eles diziam e eu na fissura de mais uma jogatina. Claro, não tinha como já ir entrando e jogando, ainda mais que minha mãe, vendo o pessoal, tratou de sentar ali e conversar, me obrigando a fazer o mesmo. E pra ser sincero com vocês, não lembro do teor da conversa, muito menos de todas as pessoas, mas algo que não esqueço foi o que o gaúcho fez, começou a brincar comigo e a filha dele, a Roberta, que devíamos ser namorados ou coisa e tal e não sei por quê, talvez por ela ter um bichinho de pelúcia ou dentões, passei a chamar ela de Mônica, sim a mesma da Turma da Mônica. E como falei, vocês vão ter que me perdoar, nesse caso eu não lembro mesmo e não tenho mais contato com o pessoal daquela casa pelo menos há 25 anos.

Meu verdadeiro amor platônico

Mas lembro bem que cheguei a brincar bastante com ela, jogar na casa do gaúcho naquelas férias, e – é claro – muita jogatina no Fliperama que ainda vai render muitas histórias, mas nem precisam perguntar, não acho que a Mônica foi um amor platônico. Nesse caso, acho que pelas brincadeiras da minha mãe e do gaúcho, eu nunca me interessei de verdade por ela. Acho que aí é que começou a surgiu a “PAIXÃO” pelos jogos, claro que não devido a problemas ou algo do gênero e sim por me dar possibilidades infinitas de ser um piloto, um cavaleiro, um lutador e qualquer coisa que os jogos trouxessem. Era algo mágico e eu me prendi muito a isso, tanto que, no outro dia, minha família e a do gaúcho foram juntas para a praia e os meninos que lá estavam queriam jogar bola e empinar pipa e eu só pensava em como fazer mais pontos no FROSTBITE. Sei lá se isso foi bom ou ruim, mas com certeza naquela época eu embarquei na jornada com os jogos da forma mais intensa possível.

Resultado de imagem para kid in ARCADE

Agora a coisa para os videogames em geral começa

Mas ainda tem muito mais para o próximo diário, então já vão se preparando para muitas jogatinas desenfreadas e mais um pouco de reflexão.

Você pode gostar...

  • davi

    mto bom o texto. continue compartilhando conosco as memorias do pequeno celso.

    • celsoaffini

      Já tenho até a parte 15 pronta e ainda tem muito mais por vir.

  • Bruno Auriema

    Muito bom! Mal posso esperar pelos próximos! Abss

    • celsoaffini

      Valeu Vudú… Já tem muita coisa engatilhada!

  • Excelente texto Celso! Que legal que você ganhou dos demais no jogo Frostbite. Garoto prodígio. Óbvio que a gente se enche de orgulho quando ganhamos uma competição. rs Ouvir os elogios é sempre bomEu quando criança, prefiria ficar jogando do que passear. Tudo era novidade e o tempo pra jogar, calculado pelos meus pais. Ainda bem que o vizinho foi falar com os seus pais e você não apanhou. 🙂 Obs: Que linda sua foto de menino.

    • celsoaffini

      Naquela época era considerado apenas mais um imbecil que jogava, mas fazia parte da ignorância daquela geração. Sorte a minha mesmo!

  • Dilei Santos

    Muito bom celso, parabéns amigo!

    • celsoaffini

      Valeu Dilei…