Diário de um Jogador #7 De volta à Praia Grande

Não tem jeito, esse é um lugar para onde ainda voltarei mais vezes, então tratem de se acostumar, pois todas as férias de final de ano eu estava lá, do dia 20 de Dezembro até depois do Carnaval, em fevereiro do ano seguinte. E é claro, aquele fliperama lá do lado da pizzaria ainda rendeu muita jogatina, pois chegando lá na casa de veraneio da minha família a primeira coisa que quis fazer era correr para o fliperama, sim, aquele do lado da pizzaria, mas já era noite e claro que tínhamos que arrumar as coisas e minha mãe levava a casa inteira com ela, meu pai chegava a usar uma carreta para trazer tudo que ela exigia. Mas, ao trazer toda a tralha para a casa, já notei que havia algo diferente… CRIANÇAS. Sim, várias possibilidades de novos amigos e logo na frente da minha casa. Ali a porta estava aberta e já deu pra ouvir um som bem conhecido por mim a essa altura: um ATARI! E já sabe o que significava né?

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Não era sempre que se tem um dos consoles mais desejados bem na casa vizinha

Pois bem, carregando as malas e as coisas daquele jeito – um olho na porta e outro pra frente para não cair – eu fui trazendo o que me era pedido e, claro, só tentando adivinhar qual era o jogo. Mas bem, depois de terminar, minha mãe pediu algum tempo para podermos jantar, mas meu pai já foi ligeiro e propôs de pegar a comida pronta no Restaurante Asturia que ficava na mesma rua do condomínio, tipo 10 metros da entrada. Sinceramente, eu não lembro o que foi pedido, se foi pizza ou porção de frango com polenta, só sei que fui junto, isso para ver um pouco mais para dentro daquela casa. Mas obviamente não vi muito, só a luz que refletia por entre ela, mas na volta vi que a jogatina continuava, mas aí o cheiro da comida e a fome fizeram sua parte em voltar a minha atenção à janta… e, é claro, depois de jantar, ninguém saia da casa, só se fosse para andar no condomínio e com certeza eu pedi para fazer essa volta rapidinha.

Hoje, de restaurante Asturias para Bar dos Karas

Porém, pra minha infelicidade, a porta da casa já estava fechada e não dava pra ver nem ouvir mais nada, o que me obrigou a realmente a dar a volta no condomínio e lembro que naquela ocasião ele estava bem cheio, com várias casas de portas abertas e muita gente indo e vindo. Lembro dos argentinos que tinham uma casa no meio do corredor e que tinham dois filhos, uma garoto da minha idade e uma garota um pouco mais velha. Mais pra frente, tinha o sósia do Collor e ele tinha três filhos, uma garota que era mais velha que eu e dois filhos, um da minha idade e outro mais velho. Lá no fundo tinha mais uma casa com crianças da minha idade e, no outro corredor, tinha uma garota da minha idade que todos chamavam de PANTERA e acho que ela tinha irmãos ou primos que sempre estavam lá e um deles tinha problema auditivo. Para crianças não existem barreiras para amizades e não posso esquecer do Tico, que foi companheiro de muita doidera minha lá no condomínio. Além das sobrinhas do Collor, para quem todo mundo pagava o maior pau, eram mais velhas e pra um garoto como eu, eram lindas.

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mesmo pirando nos fliperamas eu também dava minha pirada nas garotas de biquínis

Claro que isso é só pra contextualizar vocês, mas o foco era aquele ATARI, e voltando pra casa, dormindo e já acordando no solavanco às 10 da matina para me aprontar, pois já íamos para a praia, foi sinal de que o dia estava apenas começando. E como já falei, o negócio era assim: chegávamos tarde na praia e voltávamos só à tarde, com minha avó que ficava em casa, às vezes fazendo alguma comida (ou era tudo feito na hora), e só depois de comer que eu estava liberado. Ah, e, é claro, ao ir pra praia. já fiquei olhando ali na porta e ao voltar também e nada, mas terminado o rango, nem pensei duas vezes, como não vi nada ali na casa pedi aquele dinheiro pro sorvete e corri pro fliperama e pra minha surpresa jogos novos estavam por lá e um que me pescou naquela ocasião foi o TRAVERSE USA, também conhecido como ZIPPY RACE, mas nunca vi com esse nome, acho que era conhecido assim no NES. O jogo era espetacular, você era um piloto de moto e tinha que atravessar os Estados Unidos e o mais legal era o tipo de visão, que era superior, e mudava quando esse se aproximava da cidade, tendo que desviar de carros que vinham na contramão. Era sensacional, e cada cidade tocava uma musiquinha que – poxa vida – até hoje vive na minha memória. Mas existiam outras novidades, TIME PILOT, PUNCH-OUT e alguns outros que tive o prazer de jogar.

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Nunca vi esse jogo com esse nome, mas o flyer é lindo, hein?

Mas, claro, voltando para casa, nada ainda daquele ATARI estar funcionando, então fiquei em casa vendo algum programa na TV até escurecer e daí deu pra ver aquela luz mágica refletida na porta da casa e já sabia que o ATARI estava rodando. Se joguei ou não, vocês ficarão sabendo no próximo diário.

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  • Dan Higa

    Ahhh lembranças de férias de verão, eu sempre passava em São Vicente no apê aonde meus avós moravam. Agora depois de véio meu sonho é comprar uma casa de praia em Bertioga e construir novas lembranças como essas.

    • celsoaffini

      Praticamente sonhos de verão né Dan… Realmente não tem como falar da praia ser tem saudades nas palavras.