Diário de um Jogador #5 Quatro é melhor que um?

Voltando para São Paulo, a febre do ATARI ainda estava em alta, mesmo com todos aqueles jogos do fliperama e aquela experiência nada recompensadora para mim, meu desejo pelos jogos ainda era grande, porém, eu acabava de chegar de um apartamento para uma casa grande e meu melhor amigo até aquele momento era o mesmo ATARI. Lembro bem que quando cheguei aqui na rua, minha mãe insistiu que eu encontrasse outras crianças e claro interagisse com elas, porém na época eu era muito tímido e lembro que em uma casa quase do lado da minha havia uma menina brincando no quintal dela, voltei e falei para minha mãe… Grande erro.

Ela foi lá e chamou a menina, me apresentou e pediu para ela o seguinte: “Você poderia brincar com meu filho, somos novos aqui e ele tem um joguinho aqui”. Putz, por quê, mãe? Deu para sentir que a garota não estava a fim, mas é lógico que na frente da minha mãe ela disse “tudo bem”, com aquele sorriso amarelo e fiquei ali no quintal dela… Lembro que tinha um joguinho de boliche, dava corda na bolinha e ela corria para derrubar os pinos… Estrela, né! Bem, descobri que ela era alguns anos mais velha: eu tinha 8 para 9 anos e ela já estava quase nos 14 ou 15 anos. Era bem difícil ter qualquer tipo de conversa, pois eu já sentia que ela não estava a fim.

Resultado de imagem para Boliche da estrela

Era um joguinho excepcional

Depois conheci mais algumas crianças… ou melhor, adolescentes, em minha rua, mas três garotas, também mais velhas e dois ou três garotos também, irmãos de algumas delas. Claro que quando falei ATARI, os garotos já tinham seus cartuchos e – claro – rolaram alguns empréstimos e trocas de jogos. Obviamente, em alguns casos não foram bons para mim, pois lembro-me de um dos garotos que morava na última casa da rua, do mesmo lado da minha casa e lembro bem pois me custou um jogo isso. Então antes de continuar deixa eu contar de quando pedi pro meu pai comprar uns jogos para mim e ele viu no jornal, não me pergunte qual. E lá rumamos para São Caetano.

E sinceramente, não lembro ao certo aonde era, mas tenho certeza que era uma loja que também trabalhava com fotografia e ótica. Existiam muitas dessas lojas onde a tecnologia chegava primeiro, mas o interessante foi que ao chegar na loja e meu pai falar de jogos para o ATARI, o rapaz atrás do balcão puxou um tipo de pasta com nomes e até imagens e – puxa vida! – encheu meus olhos aquela pasta e ele já foi explicando que podíamos escolher entre um, dois ou quatro jogos que ele fazia o cartucho na hora, com aquelas chavinhas, algo que até hoje fico imaginando como o cara fazia. E o melhor, quatro jogos saía mais barato, mas mesmo assim, o cara havia mostrado um lançamento… MOON PATROL.

Valeu por achar a imagem Zemo… Essa aqui diz o japa que é raríssima

Não pensei duas vezes, pedi esse jogo, pelo que tinha visto na imagem ali na pasta era um carrinho lunar que tinha que detonar umas naves alienígenas e que garoto não curtia detonar uns aliens? Vide Space Invaders! Mas meu pai não quis saber, comprou esse cartucho e mais um com 4 jogos que também teve um destino cruel. Mas o cara pediu para esperarmos por uma hora que ele iria fazer os cartuchos, acho que estávamos no centro de São Caetano, então fomos comer um lanche e quando voltamos lá estavam os cartuchos. Prontos para serem jogados e o de quatro jogos era muito parecido com um cartucho normal, mas com duas chaves seletoras que mudadas faziam um dos 4 jogos surgir. Mas o que me chamou atenção de verdade foi o cartucho do Moon Patrol, que tinha um formato todo diferente… Ele era menor, mas possuía um tipo de empunhadura, que dava para segurar o cartucho com os dedos e retirá-lo do console. Super estiloso.

E claro, joguei demais esse, joguei tanto que acabei pegando com aquele garoto o jogo CRACKPOTS ou jogo das aranhas e ele em troca pegou o meu Moon Patrol e vocês já imaginam, né? Ficou pra ele e que raiva que passei, pois meu pai não quis ir comigo e eu mesmo pedindo, claro que não conseguia me impor a um garoto 8 anos mais velho que eu. Então babau para meu jogo!

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  • Jorge Miashike

    Que pena que seu Moon Patrol não foi devolvido, com certeza estaria com você até hoje.

    • celsoaffini

      Pena mesmo o Zemo ainda me lança que esses cartuchos são caríssimos hoje em dia!

  • Tadeu Teixeira

    Pilantra arrombado …me lembro que fiz isso com o cartucho de um primo de segundo grau….me arrependo até hoje…

    • celsoaffini

      Seu passado te condena…

  • Puxa que pena! Mas isso acontecia mesmo… era foda. Eu tinha um Super Mario 3 na caixa, lindo, e um cara da minha rua me convenceu a trocar ele por um outro jogo… eu, bobão, aceitei. O jogo nem era tão bom assim. Mas o foda foi que um dia ele foi lá em casa jogar, e num momento de distração ele pegou aquele jogo que era dele e levou embora… no final fiquei sem o Mario e sem o jogo que tinha trocado… filho da puta. Mas só descobri isso anos depois. :/

    • celsoaffini

      Todo mundo que teve videogame nessa época viveu algo assim o pior que alguns diziam:

      “Você tem muitos jogos não vai sentir falta desse”

      E davam bonde mesmo e foda… hahaha.

  • CloudStrifer

    Troquei um MK1 de MD em uma coleção de SGP e ação games, umas 120 revistas, o trouxa aqui emprestou tudo de uma vez pra um “amigo” e nunca mais viu.

    • celsoaffini

      Sério? Você emprestou uma coleção de revistas e o cara sumiu com ela? Eu matava ele, na boa!

  • É triste quando acontece uma dessas. Pior que o cartucho do Moon Patrol é bem bacana mesmo, eu nunca tinha visto cartucho neste formato. Que droga!
    Comigo foi um Mortal Kombat de MD que emprestei para um cara do colégio e ele me deixou com Golden Axe 3. Depois ele alegou que foi roubado e adeus MK…
    Pior que anos depois eu emprestei o GA3 (e mais dois jogos) pra outro maluco (eu estava na fase do PlayStation) e tempos depois ele passou a alegar que nunca tinha emprestado nada pra ele, que tinha sido para outra pessoa. Foda.

    • celsoaffini

      Caraca hein Cadu, várias histórias hein… Eu também perdi muitos jogos e já desconfiava que ia rolar, mas algo que não consigo entender fazia eu emprestar mesmo assim.

      Pior que esses caras devem ter jogado tudo fora hoje em dia e nem dão bola para videogames, pra mim isso que é o pior.

  • Leandro Mitsuru

    Caramba então tive muiva sorte sempre emprestava meus jogos e ninguém nunca fez essa pilantragem comigo

    • celsoaffini

      Teve mesmo, pois eu perdi muitos cartuchos na mão de pilantra que vinha na porta de casa me pedir algo emprestado.

  • Que legal sua história Celso! Devia ser muito empolgante ver as imagens dos jogos na pasta e esperar o cartucho com os jogos escolhidos. Muito curioso esse formato do cartucho do jogo Moon Patrol. Ótimo jogo. Espero que quem o levou, tenha ao menos, cuidado bem do cartucho.

    • celsoaffini

      Era um cartucho piratinha, mas que facilitava a colocação e retirada do mesmo. Valeu Wanderléia!