Diário de um Jogador #3 – Deixando a inocência de lado

E estamos de volta à Praia Grande em meados da década de 80 e eu tinha descoberto que aquele lugar mágico que meu tio me levou perto de casa, também tinha ali na baixada e a um quarteirão do kitnet da minha família. Então, esse virou o lugar que me fazia perder o sono e isso se devia à rotina que minha mãe impunha a todos os presentes. Nas férias, quem mandava era ela e lembro bem que éramos uma das primeiras famílias a chegar e uma das últimas a ir embora. Praticamente quando eu fechava o boletim passando de ano, meus pais já pegavam e preparavam tudo para viajar.

Então ficávamos do dia 20 de Dezembro até o final do Carnaval, com apenas meu pai subindo a serra nos dias da semana para trabalhar enquanto a gente ficava sob a guarda acirrada de minha mãe e putz… Não falei da rotina que era acordar o mais cedo possível, geralmente 9, 10 horas da manhã, tomar um café e ir para a praia. Ficar lá até as 16:00, chegar em casa e ficar esperando a comida ficar pronta. Às vezes minha avó ia também, então ela ficava na casa preparando feijão e arroz para o almoço. Depois disso estávamos liberados para ficar no condomínio e à noite descer até a sorveteria que ficava perto da praia para tomar sorvete.

Tomei muito sorvete nesse sorveteria

E essa foi por alguns anos a rotina que segui, mas chegou um momento que minha curiosidade aumentou ainda mais quando aquele mesmo tio veio à minha casa da praia para ajudar meu pai com uma reforma e ele me fez o favor de apresentar a mais um fliperama, como falei anteriormente. Mas nesse caso, aconteceu algo que já contei em algumas LIVES que fiz, que foi o seguinte: no dia em que chegamos já era um pouco tarde e nem saímos de casa, dormimos cedo para que meu pai e meu tio pudessem ver o que era preciso fazer no dia seguinte. E assim que acordei, já vi os dois conversando e meu instinto já me fez correr para o corredor e com aquele brilho fumegante do Sol, já sabia que seria um ótimo dia, mas não tão bom assim.

Meu pai ficou de comprar os itens que meu tio precisava e nisso fomos almoçar, mas sem aquele toque feminino o negócio era comer fora e fomos até aquela Pizzaria… Pizzaria Tio Patinhas, que também era um restaurante, e ali fiz minha refeição junto ao meu tio e na volta ele já viu o fliperama ao qual eu não dei bola, mas identifiquei o local. Bem, depois de tudo feito no final da tarde, já anoitecendo, meu tio falou: “Por que não vamos ali na casa de jogos?” e já logo disse que sim e meu pai me deu 100 cruzeiros e sorridente já fui seguindo meu tio até o fliperama.

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E já ia lá me perder nesse mundo eletrônico

Mas uma das coisas que já notei de diferente foram as crianças, tinha várias delas, algumas da minha idade e outras até menores, mas me senti até melhor do que com aquela exclusividade de estar num espaço só para adultos, pois lá tinha alguns também. E já olhando as máquinas, vi jogos que não conhecia e alguns que reconheci imediatamente, mas notei que meu tio já estava pegando as fichas e corri lá para fazer o mesmo, 100 cruzeiros deram 5 fichas. Claro que joguei em primeiro lugar no já conhecido para mim NEW RALLY X e depois vi jogos novos e sem pensar já coloquei minhas fichas… ELEVATOR ACTION, CIRCUS CHARLIE e POLE POSITION foram as 4 máquinas que joguei, lembrando que repeti a dose do RALLY X.

Pois bem, acabaram-se as fichas e esperei meu tio terminar de jogar naquelas máquinas de pinball para as quais eu não dava muita bola, então, sinceramente não lembro quais eram, mas que faziam um barulhão, faziam. Bem, ele terminou a ficha dele, voltamos para casa e game over para aquele dia. Ao acordar no dia seguinte, já notei que seria um dia corrido, pois meu pai e meu tio logo me desbaratinaram… E esqueci de falar: era final de semana, então eles estavam preocupados, pois poderiam ter dificuldade de achar alguns itens para a reforma. Então fiquei na minha e esperei até o almoço para que quando terminasse, pedisse um dinheiro para voltar ao fliperama.

E já sai correndo pro Fliperama

E foi o que fiz, chegamos em casa e já pedi mais 100 cruzeiros para meu pai, que prontamente pegou da calça que estava pendurada no beliche que ainda temos lá na casa. E logo ele saiu para voltar a trabalhar na obra, mas eu notei algo que talvez ele não tinha notado, que era uma nota de 1000 cruzeiros quase caindo do bolso e na minha burrice infantil, troquei as notas acreditando que ele não perceberia a diferença e usaria o argumento de que ele me deu os 1000 e achei que podia gastar à vontade.  Então já sabe né, corri para o fliperama, mas o que acontece na sequência você saberá daqui alguns dias.

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  • Bruno Auriema

    Huahuahau tô curioso agora!!

    • celsoaffini

      Dia 24, nessa mesma bat-hora, nesse mesmo bat-site!

  • Muito bom esse capítulo, Celso! Que privilégio ter conhecido Elevator Action e Ciscus Charlie nos arcades. Eu só joguei na versão do Nes.rsrs Mas toda criança é sapeca. Dinheiro dando sopa é um perigo nas mãos de uma criança. Fiquei curiosa pra saber o desfecho desse capítulo. Virei aqui no dia 24. 😉

    • celsoaffini

      Privilégio que não desfrutei tanto assim… E mas foi uma vez pra nunca mais, porém a conclusão só dia 24!

      • Interessante…Você me deixou mais instigada com essa história. Volto no dia 24. rs

  • Tadeu Teixeira

    Inocência de criança ,achando que é malandro….

    • celsoaffini

      E sempre assim… Todos pensam que são…